Senhor Presidente, Senhores Ministros, Senhor Secretário Executivo, Caros Colegas
No documento apresentado na IX Reunião de Pontos Focais da Cooperação (que consta do Anexo IV do respectivo Relatório Final), advogo uma perspectiva lusófona sobre o novo paradigma do desenvolvimento - baseado na apropriação nacional das políticas e na avaliação da respectiva coerência. A parceria global para o desenvolvimento (que é o oitavo dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio) passa assim por melhorar a base de conhecimentos científicos e técnicos sobre a qual governo e associações empresariais devem assentar o bem comum dos cidadãos. Até porque as falhas na governação são tão contagiosas quanto as insuficiências da globalização comercial e financeira.
Na comunidade multi-regional que é a CPLP, a governação política e económica melhorou com a IV Cimeira em Brasília, que se seguiu ao I Fórum Empresarial, apoiado na ELO – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Económico e a Cooperação. Aproveitou-se ainda a dinâmica resultante da conferência das Nações Unidas em Monterrey, em cuja preparação participaram – pela primeira vez - o Banco Mundial, o FMI e a OMC. Organizações não governamentais, associações empresariais e um grupo de personalidades presidido pelo ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo também se apropriaram do processo. Em África, uma nova parceria para o desenvolvimento (NEPAD) deu um sinal de esperança com o mecanismo de apreciação pelos pares, embora a maioria dos membros da CPLP ainda se não tenha habituado a parcerias nem dentro de cada Estado-nação nem entre Estados.
Quer a criação do Conselho Empresarial da CPLP no passado 4 de Junho (com presidência inaugural angolana) quer o entrosamento da CPLP com outras organizações internacionais (visível na Ministerial do ano passado) vão sustentar essa esperança. Desde Coimbra, Moçambique tornou-se o primeiro membro africano do Centro de Desenvolvimento da OCDE e o IICT passou a ter uma missão lusófona explícita.
A execução da missão do Instituto deve agora ser avaliada e acompanhada por um Conselho de Orientação, onde CPLP, ELO e os Ministérios da Economia e Estrangeiros têm assento permanente. O convénio entre IICT e CPLP, assinado em 10 de Março, embora aberto a todas as áreas de interesse comum, privilegia as competências do Conselho Empresarial, como parcerias público privadas, formas inovadoras de financiamento e cooperação empresarial baseada no conhecimento. Seguiu-se-lhe em 5 de Julho um outro convénio do IICT com o próprio Conselho Empresarial da CPLP.
Senhor Presidente, Senhores Ministros, Senhor Secretário Executivo, Caros Colegas
Jorge Braga de Macedo
Presidente do IICT
São Tomé, 24 de Julho de 2004