Nota sobre a decomposição dos diferenciais de juro reais e a derivação do prémio do risco cambial.

Seja r ( r*) a taxa de juro real em Portugal (Alemanha)
        i ( i*) a taxa de juro real em Portugal (Alemanha)
        p (p*) a taxa de variação do índice de preços em Portugal (Alemanha)
        e         a taxa de variação da taxa de câmbio (escudos por marco)
        f          o prémio a prazo do marco relativamente ao escudo

Note-se a definição da taxa de juro real
r=i-p (r*=i*-p*)

Daí que se possa decompor o diferencial de juro r-r* como segue
r-r*=(i-i*-f)+(e+p*-p)+(f-e)
onde
i-i*-f condição de arbitragem no mercado a prazo
e+p*-p taxa de variação da taxa de câmbio real
f-e prémio de risco cambial

Numa moeda convertível i-i*-f  tende para zero. O diferencial de juro real difere então da variação dos preços relativos pelo termo f-e, que mede os erros nas expectativas. Um valor negativo deste prémio mostra ganho de credibilidade da política cambial na medida em que a desvalorização não gerou expectativas de continuação.

Esta decomposição, devida a Jeffrey Frankel, foi usada realtivamente ao escudo em trabalhos anteriores, nomeadamente (nº de ordem referente à lista de publicações)

108. Interest Differentials, Financial Integration and EMS Shadowing: A Note on Portugal with a Comparison to Spain (com Francisco Torres), in Portugal and the Internal Market of the EEC, organizado por J. Silva Lopes e Luís Miguel Beleza, Lisboa: Banco de Portugal, 1990.

105. Financial Liberalization and Exchange Rate Policy in the Newly Integrating Countries of the European Community, in Prospects for the European Monetary System, organizado por Piero Ferri, London: Macmillan, 1990, pp. 178-194.

103. External Liberalization under Ambiguous Public Response: The Experience of Portugal, in Unity Diversity in the European Economy. The Community´s Southern Frontier, pp. 310-354 de Unity with Diversity in the European Economy. The Community´s Southern Frontier, organizador (com Christopher Bliss), Cambridge: Cambridge University Press, 1990 (CEPR Discussion Paper nº 378 e Nova Economics Working Paper nº 138, Janeiro 1990).

101. Perspectives sur la Libéralisation Financière: Grèce, Espagne, Portugal, Revue d' Economie Financière nº 8/9, Março-Junho 1989.

87. Perspectives on Financial Liberalization in the Newly Integrating Countries of the European Community, European Economy, Maio 1988 (existe tradução francesa, rubrica nº 85).

85. Perspectives sur la Libéralisation Financière dans les Pays Nouvellement Intégrés de la Communauté Européenne, in Création d'un Espace Financier Européen: Libération des Mouvements de Capitaux et Intégration Financière dans la Communauté, Bruxelas: Comissão das Comunidades Europeias, 1987 (tradução do original inglês, rubrica nº 87).